Terça-feira, 12.05.09

 

Diz AGaja que quer uma massagem aos pezinhos… pois ‘tá claro! (que vou fazer).

 

E pensar que nos bastou um erro para darmos por nós muito atarefados a satisfazer-lhes todos os caprichos. Esse erro meus caros, foi menosprezar a maior das armas femininas. Já lá vamos! (prometo explicação com precisão histórica).

 

Importa, antes de mais, dizer que as gajas nos invejam. Invejam o homem pelo seu papel histórico e admiram secretamente a forma como as relegámos para um cantinho da História com uma subtileza pouco expectável até. (por esta altura já está o gajedo todo em polvorosa).

 

A essa subtileza demos o nome de “cavalheirismo”. O cavalheirismo nasceu como medida compensatória ao entalanço social que os homens infligiam sobre as gajas. “Tudo bem que não votas, não tens direitos e em casa é ao murro até cuspires dentes. Mas, fica prometido que te ajeito a cadeira se um dia tiveres a sorte de te levar a algum lado. Ah e és linda!” Os elogios nós percebemos desde cedo que resultavam.

 

Só que um dia as gajas acordaram todas giras e pensaram assim “calma lá, a distribuição de responsabilidades, direitos e deveres no mapa social é desigual consoante o sexo da pessoa” que é como quem diz “os gajos andam a fo#£*-nos e a gente a ver”

 

Durante anos cozinharam secretamente a cambalhota social que hoje vivemos. E foi então que o homem tropeçou na mais antiga rasteira do mundo, a subestimação (olha que tempo verbal tão pouco agradável à leitura). O desdém, portanto.

 

Nos intervalos das bofetadas o que é que as mulheres faziam? Converseta, pois claro. Falavam umas com as outras. Conversa menor e sem importância, se além de apanhar não fazem nenhum, que falem umas com as outras que também não atrapalham. Foi este o pensamento masculino e o seu equívoco fatal. As gajas utilizaram a converseta como os brasileiros a capoeira.

 

Também os colonos portugueses se borrifaram para o invulgar bailado indígena até ao dia em que se apanharam a dizer “espera lá!?! estou a ser agredido com passos de dança? Quão mais humilhado poderia estar a ser?!” intrigava-se o português enquanto era pontapeado na cabeça ao ritmo de berimbau.

 

Da mesma forma, nós, os gajos, pensávamos que elas faziam aquilo (falar) para se recrearem quando afinal estavam a preparar uma revolta.

 

Tal como os escravos também elas aprimoraram uma arte. A de aproximar letrinhas e articular palavras umas a seguir às outras de uma maneira, muito interessante, que faz com que basicamente tudo faça o sentido que elas querem que faça. A arte da retórica. O homem, desprevenido, não estava preparado.

 

À imagem do colono agredido com o que julgava ser uma dança inofensiva, os homens contemporâneos exclamam hoje “calma lá! Mas estas gajas agora vêm cheias de converseta para cima de mim? Estou confuso! Não era um hobby?”

 

Contudo, gajedo que me lê, erros foram cometidos na vossa revolta. Erros que a História se encarrega de repetir. Fica para outro dia o discorrer sobre a matéria.

 

PS: O folhear irado de uma revista do social marca a cadência sonora da revolta. A TV 7 Dias é o berimbau da modernidade.




Aqui as perspectivas são diferentes… tão diferentes quanto um gajo e uma gaja podem ser
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